Dois grupos encontram-se no limite da crença
À esquerda, viajantes armados param com um cavalo e um burro. Perto do centro, homens juntam-se em torno de um pequeno fogo e dos restos de uma coluna clássica. Uma figura alta ergue uma vara para um esqueleto suspenso e aparições aladas. Os viajantes veem o que nós vemos, mas a distância permite-lhes hesitar entre testemunhar e fugir.
Rosa mantém a maior parte da floresta quase negra. Fogo, lua, corpos pálidos e lampejos de roupa revelam apenas fragmentos, levando o olhar a perder e reencontrar repetidamente o mundo invocado.
Estas figuras mágicas são homens
As imagens europeias de feitiçaria centravam-se muitas vezes em mulheres, mas esta cena aborda a necromancia associada a feiticeiros homens e eruditos. O Cleveland Museum descreve o mágico dominante como uma lembrança de Moisés em tradições visuais anteriores. O corpo comprido e a vara erguida conferem uma autoridade inesperada ao espetáculo sobrenatural.
Isso não torna a magia inofensiva. Esqueletos, animais e seres híbridos enchem a escuridão. Torna, sim, o tema mais específico do que uma reunião genérica de bruxas: conhecimento, poder e o perigo da ambição intelectual fazem parte da inquietação.
O círculo faz parte do feitiço
A tela é um tondo, ou pintura circular. O museu liga essa forma ao lugar fundamental do círculo na prática mágica. Rosa não se limita, portanto, a colocar um ritual dentro de um formato decorativo. A margem envolvente pode sugerir a própria fronteira de uma operação, selando espectadores, feiticeiros, ruínas e aparições num único campo escuro.
A obra pertence a um conjunto de quatro cenas circulares de feitiçaria feitas por volta de 1645-1649. A disposição original não está documentada, mas permaneceram juntas. A repetição transforma cada episódio numa fase de uma investigação maior sobre a magia, em vez de um choque isolado.
Invocar torna-se uma afirmação da pintura
Rosa cultivou em Florença uma reputação de originalidade através de pintura, poesia, sátira e representação. A investigação do museu defende que estes mágicos eruditos podiam referir-se ao artista e ao seu círculo intelectual. Um feiticeiro produz formas que nenhum viajante comum espera ver; um pintor faz algo semelhante numa tela plana.
A comparação vê-se na pincelada. As criaturas só aparecem onde Rosa lhes dá luz e forma suficientes, enquanto a escuridão esconde o resto. A pintura torna o próprio fazer parte do tema: a invenção pode surpreender, persuadir e perturbar, quer o instrumento seja uma vara ou um pincel.
Fontes e leituras adicionais
- Cleveland Museum of Art, registro da coleçãoObjeto exato, figuras, necromancia, relação com Moisés, formato circular e interpretação do artista como mágico.
- Cleveland Museum of Art, O novo e o bizarroOs quatro tondos, contexto florentino, precedentes visuais, propriedade original e construção da imagem de Rosa.
- Cleveland Museum of Art, comunicado da exposiçãoVisão institucional da série, magia, sátira, Antiguidade e macabro.
